Representações Simbólicas e Registros Digitais

Dendrocronologia

Dendrocronologia

Registros de informações

A essência de viver reside no consumo de energia para gerar e armazenar informações, que se apresentam como registros de conhecimentos, fatos e fenômenos em diversas formas e meios físicos e biológicos. Variados são os exemplos que podemos mencionar. Desde os primórdios da evolução, o DNA tem sido o meio de registro biológico por excelência, contendo informações sobre a história genética das espécies ao longo de milhões de anos. Outra forma fascinante de registro é a dendrocronologia, que utiliza os anéis de crescimento das árvores para datar eventos climáticos e ambientais passados, revelando a história do nosso planeta.

Lascaux

Arte rupestre

A arte rupestre, como as pinturas nas cavernas de Lascaux, é uma janela para o passado, testemunhando a criatividade e a expressão artística de nossos ancestrais pré-históricos. Avançando na linha do tempo, desde os primórdios da civilização, temos as tabuletas de argila com sistemas de escrita antigos, onde registros escritos documentavam os feitos e as culturas da humanidade. Esses exemplos notáveis de registro ao longo dos séculos demonstram a importância que atribuímos ao conhecimento e ao desejo de preservar nossa história, cultura e identidade como seres vivos em constante busca por compreender e perpetuar a complexidade do mundo ao nosso redor. Em suma, a vida no planeta está intrinsecamente associada aos registros deixados pela própria essência de viver, manifestando-se em diversas formas de expressão ao longo da história.

Registro biológico (DNA)

Registro biológico

Representação Simbólica

A representação simbólica consiste em estabelecer relações entre diferentes domínios simbólicos, buscando traduzir a complexidade do mundo natural em formatos abstratos, compreensíveis e duradouros. Essas representações simbólicas ganham vida ao serem materializadas em registros estabelecidos em algum meio físico. O mundo natural é o palco onde fatos e fenômenos se desenrolam, repletos de aspectos interconectados e dependentes do tempo e espaço. Além disso, o mundo natural abriga a vida, e viver está intrinsecamente ligado à capacidade de criar e compartilhar representações simbólicas, garantindo que o legado da vida perdure em todas as suas formas e manifestações.

A compreensibilidade das representações simbólicas está diretamente ligada à característica de que elas carregam algum significado em sua forma simbólica. Essa relação entre forma e significado é crucial, permitindo decodificar e interpretar as informações representadas. É por meio dessa interpretação que os seres vivos conseguem recuperar e compreender o sentido atribuído às representações simbólicas, tornando-as veículos eficazes para registrar a ocorrência de fatos e fenômenos de maneira acessível e compreensível, e até mesmo de comunicar conceitos complexos, experiências e conhecimentos.

A durabilidade das representações simbólicas é outro aspecto fundamental. Ao serem duradouras, essas formas de expressão transcendem o tempo e o espaço, conectando gerações e ultrapassando fronteiras geográficas. Essa longevidade é essencial para garantir que o significado contido nas representações simbólicas permaneça compreensível ao longo dos anos, permitindo que informações valiosas sejam acessadas e interpretadas em diferentes épocas e culturas.

A própria natureza gera elementos biológicos capazes de interpretar e decodificar representações simbólicas. Um exemplo notável é o registro biológico evolutivo registrado no DNA. Esse domínio simbólico relaciona-se com o mundo real e contém informações sobre a história genética das espécies ao longo de milhões de anos. Através da leitura do código genético, os seres vivos acessam informações cruciais para a continuidade da vida, permitindo que a evolução e a adaptação ocorram.

O conhecimento humano também deve seu desenvolvimento às representações simbólicas. A combinação de compreensibilidade e durabilidade torna essas representações simbólicas poderosas ferramentas para a comunicação e preservação do conhecimento humano. Desde tempos remotos, nossos ancestrais utilizaram diferentes formas de representações simbólicas para registrar sua história, cultura e crenças, garantindo que seu legado perdurasse ao longo dos séculos. Entre essas representações, encontramos as pinturas rupestres, que foram registradas em paredes de cavernas e rochas, criando um elo duradouro entre o passado e o presente. Os hieróglifos, por sua vez, foram inscritos em monumentos e em papiros no Antigo Egito, preservando conhecimentos e narrativas que ecoam através do tempo. Além disso, os sistemas de escrita, como o desenvolvido pelos sumérios, encontraram seu suporte material em tabuletas de argila, transmitindo informações essenciais para a compreensão da civilização antiga. Esses meios físicos, ao carregarem as representações simbólicas, se tornaram fundamentais para a disseminação do conhecimento, permitindo a interpretação desses registros pelos povos de diferentes épocas e culturas. Essa capacidade humana de interpretar essas formas de expressão simbólica nos ajuda a desvendar a complexidade do mundo ao nosso redor, mantendo viva a chama do conhecimento e perpetuando a riqueza da vida em todas as suas formas e manifestações.

 

Meios Digitais

A segunda metade do século XX conheceu o início de um grande salto tecnológico, marcado pela disseminação dos registros em meios magnéticos, óticos e outros ao lado das tradicionais representações simbólicas, como papel e papiro. Esses meios digitais representam uma significativa evolução em relação às formas de armazenamento mais datadas, permitindo que as representações simbólicas neles registradas sejam codificadas, armazenadas, difundidas, recuperadas e decodificadas de forma automatizada, proporcionando ganhos expressivos na preservação e compartilhamento do conhecimento. A coexistência entre meios digitais e tradicionais no cotidiano do mundo contemporâneo marca a ampla gama de possibilidades para registro e preservação de conhecimentos e informações.

Um momento que merece referência no avanço tecnológico mencionado foi o surgimento do primeiro disco rígido IBM 350 RAMAC. Lançado em 1956 pela IBM, o IBM 350 RAMAC foi o primeiro dispositivo de armazenamento de dados em disco rígido comercialmente viável. Possuía uma capacidade de armazenamento impressionante para a época, podendo conter até 5 megabytes de dados distribuídos em cinquenta discos de 24 polegadas de diâmetro. Esse pioneiro dispositivo abriu caminho para a utilização de discos rígidos em computadores e foi um marco na evolução dos meios físicos digitais de armazenamento.

Disco rígido

Disco rígido

CD

CD

Servidores

Servidores

Desde então, a tecnologia de armazenamento digital continuou evoluindo de forma exponencial. Apareceram as fitas magnéticas, que foram amplamente utilizadas em mainframes e servidores. A seguir, surgiram os CDs (Compact Discs) e DVDs (Digital Versatile Discs), permitindo o armazenamento e a distribuição de dados de forma mais acessível e conveniente para os usuários domésticos. No entanto, com o rápido crescimento da era digital, esses meios físicos começaram a enfrentar limitações em termos de capacidade de armazenamento.

Atualmente, os grandes discos rígidos utilizados nos modernos data centers são a espinha dorsal do armazenamento de dados em escala global. Esses discos rígidos têm capacidades enormes, medindo terabytes ou até mesmo petabytes de espaço de armazenamento, permitindo que empresas e organizações mantenham enormes volumes de dados de maneira segura e eficiente. Esses avanços tecnológicos no armazenamento digital possibilitaram a expansão de serviços baseados na nuvem, o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial, a análise de grande volume de dados e muitas outras aplicações que moldam o mundo contemporâneo

 

Registros Digitais

A característica fundamental dos registros digitais amplia significativamente a capacidade de preservar e compartilhar conhecimento, estendendo seu alcance temporal e espacial. Os registros digitais seguem convenções em diferentes níveis de abstração, desde códigos de programação até formatos de arquivo padronizados. Essas convenções possibilitam a interpretação e a decodificação dos dados por sistemas computacionais e softwares específicos, tornando-os compreensíveis para os seres humanos também. Além disso, a facilidade de replicação e distribuição dos registros digitais permite a disseminação global de informações e a colaboração em escala global, criando uma rede interconectada de conhecimento e cultura. Os registros digitais representam uma poderosa evolução das representações simbólicas, proporcionando um novo horizonte de possibilidades para a compreensão coletiva da vida no planeta no qual a tecnologia digital desempenha um papel central. A capacidade de armazenar, processar e compartilhar dados de maneira eficiente e acessível tem impulsionado inovações em diversas áreas do conhecimento humano, transformando a forma como interagimos, aprendemos e nos comunicamos.

Esse contexto de registros digitais de representações simbólicas impulsionou a emergência da área de Humanidades Digitais, na qual técnicas e métodos matemáticos e computacionais são empregados para analisar a vasta quantidade de registros digitais e as informações deles extraídas, e construir formas eficientes de manutenção do legado cultural e do conhecimento. As Humanidades Digitais investigam dinâmicas sociais em escalas variadas, desde indivíduos até agrupamentos sociais numerosos, utilizando abordagens que combinam análises qualitativas e quantitativas. A manipulação de grandes massas de informação complexa é uma característica essencial dessa disciplina, exigindo a utilização de conceitos, teorias e artefatos computacionais sofisticados. Ao explorar os registros digitais de representações simbólicas, as Humanidades Digitais enriquecem o conhecimento teórico e aplicado, aprimorando e aprofundando a compreensão das formas de interação humana em sociedade, em uma abordagem notadamente interdisciplinar.

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